O caixão de Khamenei, coberto com a bandeira iraniana, e os de membros
de sua família estavam sobre um caminhão decorado para se assemelhar à grade
ornamental que circunda o santuário de um imã que é um tipo de sacerdote do
Islã.
A participação popular massiva, incentivada pela teocracia iraniana
como um sinal de força, ocorreu enquanto o país negocia com os EUA um fim
definitivo para a guerra que matou o clérigo de 86 anos.
O aiatolá Ali Khamenei foi morto no dia 28 de Fevereiro de 2026, aos 86
anos, durante um ataque aéreo conjunto conduzido pelos Estados Unidos e por
Israel. O bombardeio também vitimou sua filha, seu genro, uma nora e um neto.
Imagens aéreas exibidas pela televisão estatal iraniana mostraram uma
multidão imensa que se estendia da Praça Azadi, ou Praça da Liberdade, em
Teerã, por quilômetros ao longo de uma avenida de mesmo nome.
A multidão parecia ser maior do que a que compareceu à procissão de
2020 em homenagem ao falecido general da Guarda Revolucionária, Qassem
Soleimani, que atraiu mais de 1 milhão de pessoas.
“Hoje, que estamos aqui para o funeral do nosso líder, é um dia muito
difícil”, disse a participante do funeral, Fátima Hassan. “Não estamos aqui
para nos despedirmos dele, estamos aqui para nos vingarmos. E nos vingaremos.”
As autoridades demonstraram preocupação com os perigos de uma grande
multidão ao lado da procissão, com funcionários usando alto-falantes para pedir
ao público que caminhasse devagar, não empurrasse e permanecesse nas laterais
da rua.
Os caixões foram levados pelas ruas de Teerã em uma jornada de 12 horas
até o Aeroporto Internacional de Mehrabad, disse o general da Guarda
Revolucionária Hasan Hasanzadeh, que está supervisionando a procissão.
As autoridades interditaram ruas, espaço aéreo e interromperam a vida
cotidiana em sinal de luto. O cortejo começou no sábado (4) e terminará na
quinta-feira (9), quando Khamenei será sepultado no santuário do Imã Reza em
Mashhad, sua cidade natal.
“Esta é a última vez que o vejo”, disse Maryam Alizadeh, aos prantos.
“Nossa geração conviveu com ele por décadas.”

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