O presidente da UNITA, fez a referida afirmação durante um evento
público designado diagnóstico económico e social, realizado na Quarta-feira
(17/06). Segundo Adalberto da Costa Júnior, Angola continua dependente de um
modelo económico excessivamente assente no petróleo, na dívida pública e na
concentração de recursos nas mãos do Estado, defendendo a implementação de
reformas estruturais capazes de promover um desenvolvimento sustentável e
inclusivo.
O líder da UNITA considerou que os problemas do país são sobretudo
estruturais e resultam da forma como as instituições funcionam, da organização
do poder económico e dos incentivos existentes.
Angola vive uma situação de estabilização sem transformação, na qual
alguns indicadores macroeconómicos melhoram, mas sem impactos significativos na
diversificação económica, na criação de emprego e na redução das desigualdades
sociais, reiterou o líder da UNITA.
Adalberto Costa Júnior destacou também a diferença entre o preço de
referência do petróleo inscrito no Orçamento Geral do Estado e os preços
praticados nos mercados internacionais. Segundo afirmou, enquanto o Orçamento Geral do Estado (OGE) foi
elaborado com base em 61 dólares por barril, a média observada nos primeiros
meses de 2026 rondou os 92 dólares.
Segundo Adalberto da Costa Júnior esta diferença cria uma margem
financeira significativa que exige maior transparência por parte do Executivo
na divulgação das receitas efectivamente arrecadadas.
Dando sequência a análise, segundo a UNITA, o peso da dívida pública
representa, cerca de 84% das receitas previstas para 2026 que serão absorvidas
pelo pagamento da dívida e dos respectivos encargos financeiros.
Para o líder da oposição, esta realidade limita a capacidade do Estado
para investir em áreas estratégicas como a educação, a saúde, a protecção
social e as infraestruturas produtivas.
O diagnóstico também faz duras críticas ao sistema financeiro que
continua sem desempenhar um papel relevante na diversificação económica, uma
vez que o crédito ao sector privado representa apenas cerca de 7% do PIB, um
dos níveis mais baixos da África Austral.
A agricultura foi apontada como um exemplo dessa contradição. Embora
seja frequentemente apresentada como prioridade nacional, continua a receber
uma parcela reduzida do financiamento bancário.
A UNITA criticou igualmente a forte concentração territorial dos
recursos públicos. Segundo os dados apresentados, Luanda e a estrutura central
do Estado absorvem cerca de 68,1% da despesa pública prevista para 2026.
Adalberto Costa Júnior considera que esta centralização agrava as
desigualdades regionais, limita o desenvolvimento das províncias e aumenta a
pressão migratória sobre a capital.
O relatório manifesta ainda preocupação com a elevada taxa de
informalidade, que afecta cerca de 78,8% dos trabalhadores angolanos e
ultrapassa os 93% entre os jovens dos 15 aos 24 anos.
O desemprego jovem, superior a 50%, foi igualmente apontado como um dos
principais desafios económicos e sociais do país, reflectindo a incapacidade da
economia para gerar emprego formal e produtivo.
No plano institucional, o líder da UNITA criticou os níveis de
corrupção, a falta de transparência na contratação pública e aquilo que
considera serem fragilidades na independência do sistema judicial e na
aplicação efectiva das leis.
O diagnóstico reconhece alguns progressos nos sectores da educação e da
saúde, incluindo melhorias nos indicadores de mortalidade materna e neonatal e
avanços nas campanhas de vacinação. Contudo, alerta que a taxa de analfabetismo
permanece elevada e que a malária continua a ser a principal causa de
mortalidade e morbilidade em Angola.

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