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ROUBO COM O ROSTO DO CRIME NO MUSEU DE LOUVRE – FRANÇA


Em plena luz do dia em Paris, na manhã de Domingo (19/10/2025), os visitantes começavam a se aglomerar pelos corredores do museu do Louvre quando uma quadrilha de criminosos invadiu o local. Em apenas oito minutos, eles entraram e saíram com alguns dos tesouros mais valiosos do país.

Os suspeitos roubaram joias e pedras preciosas avaliadas em milhões de dólares durante o roubo realizado no passado Domingo (19/10). As autoridades francesas consideraram o caso como “o roubo do século”.  

Nove objectos foram alvos dos criminosos; oito foram roubados, e o nono, a coroa da imperatriz Eugênia, esposa de Napoleão III, caiu durante a fuga, quando os assaltantes deixaram o local em motocicletas. As peças roubadas foram: Coroa com safiras e quase 2.000 diamantes; Colar com oito safiras do Sri Lanka e mais de 600 diamantes da rainha consorte Maria Amélia; O Colar e brincos da imperadora Maria Luisa, segunda esposa de Napoleão Bonaparte, com 32 esmeraldas e 1.138 diamantes; O Broche com 2.634 diamantes da imperatriz Eugênia, esposa de Napoleão III, adquirido pelo Louvre em 2008 por € 6,72 milhões.

O momento para roubar o Museu do Louvre foi bem escolhido: a imprensa francesa estava se preparando para a cobertura da prisão do ex-presidente Nicolas Sarkozy, além disso era um calmo domingo de manhã e centenas de pessoas começavam a entrar no conhecido museu francês, o mais visitado de todo mundo. Para se ter uma ideia, o número de turistas que visitam anualmente o Museu de Louvre é superior ao número de turistas que visitam anualmente vários países do mundo, inclusive o Brasil.

Ninguém se preocupou quando uma caminhonete com uma escada tipo Magirus, utilizada para transporte de móveis em apartamentos, estacionou do lado de fora do museu e dela saíram quatro homens, porque pareciam operários – um deles tinha um colete amarelo usado no transporte de mudanças.

Com a escada, subiram ao andar superior, cortaram o vidro da porta e entraram na ala Apollo do museu, onde estavam as joias de antigas rainhas francesas, inclusive uma coroa, que os ladrões danificaram ao deixar cair na rua, no momento da fuga.

Quem tinha programado sua viagem com calma para ver a La Gioconda ou Mona Lisa, naquele Domingo, no Museu do Louvre em Paris, não teve sorte! O Louvre fechou meia hora depois de ter aberto, logo após ter ocorrido o roubo, destinado a ficar na história por sua audácia.

O Rosto do Crime no Louvre não teve grandes truques, foi tudo muito simples e mesmo muito rápido, durou apenas 7 minutos, sem que os ladrões estivessem armados. Nesses poucos 7 minutos saíram pela porta-janela por onde entraram, desceram pela escada Magirus e tentaram colocar fogo na caminhonete base da escada móvel, mas desistiram ao ver que chegavam guardas do museu. E fugiram de moto.

No caminho deixaram cair a coroa da imperatriz Eugénie, esposa de Napoleão. A polícia também encontrou “duas cortadoras eléctricas de vidro, um maçarico, gasolina, luvas, um walkie-talkie, um cobertor e uma coroa” no local do assalto.

Um colete amarelo utilizado pelos autores do roubo para se disfarçarem de operários foi encontrado um pouco mais longe, perdido durante a fuga. Tudo indica que faltava policiamento e guardas do museu no local, em consequência de economias que vinham sendo feitas há anos.

Um jornal belga publicou, na primeira página, uma caricatura na qual Mona Lisa diz: “Eu vi tudo!”.

Para a imprensa internacional foi um prato cheio, pois a França acaba de sair de uma crise política e enfrenta uma crise financeira. Fora a importância do Louvre, um dos maiores museus do mundo. Houve referências ao ladrão elegante Arsène Lupin e comparações com o filme Os Diamantes de Antuérpia, contando um roubo importante, no valor de US$ 100 milhões, na Bélgica, em 2003, por um bando Italiano de Turim.

Numa época de avanço tecnológico, o Museu do Louvre tem atrasos importantes e a sala Apollo, onde estavam as joias roubadas, só dispunha de uma câmera que documentava a presença dos ladrões, mas sem permitir a obtenção de detalhes. A entrada de ladrões na sala Apollo era subestimada por não se imaginar que ladrões pudessem ali subir.

Houve caricaturas na imprensa inspiradas no roubo do Louvre como a do Jornal Ouest-France, do chargista Chaunu. E diversas interpretações abordam o caso como sendo um ataque à história francesa num roubo moderno inspirado no valor de metais preciosos. Especialistas destacaram que eles buscaram o valor material e não histórico das joias e o surgimento de uma nova tendência de ataques aos museus, aproveitando-se de suas falhas de segurança.

As autoridades locais ainda não informaram o número de peças roubadas nem o valor estimado do prejuízo, mas confirmaram que um inventário detalhado está a ser realizado para auxiliar a investigação.

Antes do roubo, o Tribunal de Contas da França já havia alertado para o que chamou de “atraso persistente” na modernização dos equipamentos de segurança do Louvre. Um relatório obtido pela Agência France-Presse (AFP) revela que 75% das salas da ala Richelieu e 60% da ala Sully — duas das principais do museu — não possuem câmeras de vigilância. Além disso, o Louvre perdeu 200 agentes de segurança nos últimos 15 anos, enquanto o número de visitantes aumentou 50% no mesmo período. O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, reconheceu as falhas e afirmou que o episódio “projecta uma imagem deplorável do país”.

Em meio à crise, a presidente do museu, Laurence des Cars, será convocada pela Comissão de Assuntos Culturais do Senado francês para prestar esclarecimentos. A audiência está marcada para depois de amanhã, segundo o senador Laurent Lafon, que disse querer “explicações após o roubo”.

Diante da repercussão internacional, o governo francês anunciou uma revisão urgente dos protocolos de segurança em todos os museus do país. A CGT Cultura, sindicato que representa os trabalhadores do setor, exigiu reforço imediato de pessoal e investimentos em tecnologia de vigilância.

Enquanto isso, segundo o UOL, o Museu do Louvre segue fechado, sem previsão de reabertura. Visitantes que haviam adquirido ingressos estão sendo reembolsados, e a cena do crime permanece isolada para perícia.

O crime reacende uma longa e curiosa história de roubos em grandes museus ao redor do mundo — inclusive no próprio Louvre. Em 1911, o museu foi palco do roubo da Mona Lisa, levada por um vidreiro italiano que havia trabalhado no local. A obra ficou escondida durante dois anos até ser recuperada.

Outros casos célebres incluem o assalto ao Museu de Belas Artes de Montreal, em 1972, quando 18 pinturas e dezenas de joias desapareceram — a maioria nunca recuperada. Em 1990, o Museu Isabella Stewart Gardner, em Boston, foi invadido por falsos policiais, que roubaram 13 obras de arte avaliadas em meio bilhão de dólares — nenhuma delas foi encontrada.

Na Europa, o Museu de Viena perdeu em 2003 a peça renascentista “O Saleiro”, avaliada em 50 milhões de euros, recuperada três anos depois. Já o Museu Munch, em Oslo, teve “O Grito” e “A Madona” levados em 2004 — ambos encontrados danificados dois anos mais tarde.

Mais recentemente, em 2019, o museu Grünes Gewölbe, em Dresden (Alemanha), foi invadido por um grupo que roubou joias do século 18 avaliadas em 113 milhões de euros. Parte do acervo foi devolvida após acordos judiciais, mas várias peças estavam danificadas ou incompletas.

A França mal se recuperava do assalto cinematográfico ao Museu do Louvre quando outro crime atingiu o patrimônio cultural do país. Menos de 24 horas depois, na segunda-feira 20, assaltantes invadiram a Maison des Lumières, na cidade de Langres, e roubaram parte de uma colecção de moedas de ouro e prata dos séculos XVIII e XIX. O museu é dedicado ao filósofo Denis Diderot, um dos ícones do Iluminismo.

Segundo comunicado da prefeitura obtido pela AFP, os funcionários perceberam sinais de arrombamento ao chegarem para trabalhar e encontraram a vitrine que abrigava o chamado “tesouro do museu” quebrada no chão. O acervo havia sido descoberto por acaso, em 2011, durante obras de restauração no casarão histórico que hoje abriga o museu. À época, foram encontradas 1.633 moedas de prata e 319 de ouro, datadas entre 1790 e 1840.

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