Uma dor no
peito pode lhe alertar sobre a necessidade de ter de buscar pelos serviços
médicos. A tosse persistente pode ser sinal de problemas cardíacos, pois na
maioria das vezes existe um excesso de líquido nos pulmões. Esse acúmulo
de líquido pode ser causado por uma insuficiência cardíaca congestiva,
responsável pela tosse e pelo chiado.
A dificuldade de respirar durante o sono se refere a apneia obstrutiva do sono, uma condição que faz
com que o paciente pare de respirar por alguns instantes durante a noite.
Nos casos referenciados no primeiro e no segundo
parágrafo, é possível perceber que recorrendo aos serviços de um arquitecto ou
de um jurista para o tratamento médico, certamente seria um absurdo pois um
arquitecto ou um jurista não poderá prestar o serviço adequado a quem precisa
de serviços médicos de especialidade.
Alguém que
necessita dos serviços de especialidade de um cardiologista, que é um profissional que
trabalha no diagnóstico e tratamento de doenças do coração e sistema
circulatório, não se submete para ser
assistido por um arquitecto ou por um jurista.
Num
segundo caso, imagina alguém que tem de construir um edifício. Alguém que
necessita dos serviços de engenharia com práticas especializadas que envolvem o conhecimento
técnico e científico para planear, projectar,
construir e manter estruturas na área da construção civil. A engenharia é uma
disciplina essencial para garantir a qualidade, segurança e eficiência em
qualquer projecto.
Esses serviços
abrangem uma ampla gama de actividades,
desde a elaboração de projectos
arquitetónicos
até o gerenciamento completo da obra. Os engenheiros trabalham em estreita
colaboração com arquitectos,
designers e outros profissionais do sector
para garantir que todas as etapas sejam executadas adequadamente. No
entanto, imagina que, para a execução, destes serviços sejam são atribuídos a
um economista ou a um gestor de recursos humanos.
As
hipotéticas situações suscitadas nos parágrafos anteriores tem sido o dia-dia
vivenciado nas diversas instituições, empresas públicas e privadas do mercado
angolano. A suposta facilidade da produção de conteúdos que podem ser divulgados
através das diferentes ferramentas de comunicação com base nas tecnologias de
informação e comunicação, entre as quais se destacam as redes sociais, tem sido
um dos principais erros mais comuns que as organizações cometem pela falta de
selecção de pessoal qualificado para o desempenho das funções no campo da
comunicação e do marketing.
A comunicação é um ato diário e
presente em todos os locais do planeta. Por se tratar de uma acção que
está sempre presente na vida das pessoas, é compreensível que o ato de
comunicar tenha implicações em áreas de estudo, pesquisa, especializações e,
posteriormente, em diversas profissões.
Devido
a generalidade que a comunicação aparenta com várias facetas envolvidas na
comunicação e no marketing no contexto das
organizações, geralmente denota-se que muitas pessoas se acham
serem plenos conhecedores da natureza e do escopo das funções do campo da
comunicação.
Em
Angola o campo da comunicação encontra-se invadido, usurpado pela promiscuidade
da falta de ética profissional. O amadorismo e o oportunismo fortemente
expandido com a revolução tecnológica tem sido absorvido pelo nepotismo e o
tráfico de influência, fazendo com que os profissionais da área sejam
preteridos, substituídos por pessoas sem qualificações e habilidades para o
sector.
Actualmente
muitos profissionais de comunicação são comparados e equiparados por quem se
predispõem a fazer uma postagem no feed de notícias,
uma acção que a grande maioria faz sem ter de aplicar as técnicas
rebuscadas para transmitir a mensagem. Todavia, o
que é imprescindível e que seria mais correcto no
contexto das organizações é que as acções sejam
feitas por profissionais que conhecem os meandros da comunicação estratégica.
Profissionais que reconheçam as características do meio, Facebook, Instagram,
entre outras redes socias.
O
conhecimento na área da comunicação permite que elementos simples possam ser usados para
determinar a clareza do conteúdo e, portanto, o engajamento que venha a ser
conquistado.
Entretanto,
na busca do protagonismo, o pensamento e
acção dos amadores do campo da comunicação tem tentado mostrar tudo o que
sabem sem competências específicas, mas com o objectivo de preservar a
oportunidade que lhe surgiu na área da comunicação.
São
milhares os oportunistas que se apoderaram do campo da comunicação. E um entre
os vários problemas que causam, é o cancro do amadorismo que consiste na
impossibilidade alcançarem os objectivos da comunicação e marketing perante ao
improviso que geralmente é visível pela péssima forma que a grande
maioria das organizações públicas e privadas comunicam no mercado
angolano.
O
amadorismo prende-se na nova febre do jogo do acaso, o achismo, que na sua tentativa de
transparecer profissionalismo ofusca a mensagem a ser passada.
O conteúdo muitas vezes não depende do
vasto conhecimento que se deseja demonstrar e isso acaba pondo em cheque a
clareza do que está a ser dito. O
pensamento do profissional, em contrapartida, é cirúrgico em sua abordagem. Ele
foca no objectivo do conteúdo e utiliza as ferramentas
necessárias para que seja cumprido. Tal como acontece
com demais áreas do saber, o campo da comunicação não está isento da
necessidade de absorver os profissionais da área. Assim como acontece com a
medicina, o direito, as engenharias, etc, que o primeiro passo para
ser reconhecido como um especialista, antes
de mais deve se submeter a formação, no campo da comunicação também é
necessário frequentar os cursos credenciados para o efeito e prestar as
provas conforme os critérios e pressupostos para à obtenção da
especialidade.
A comunicação é uma
ciência, e como tal possui um campo de estudo que engloba os processos de
produção, transmissão e recepção de mensagens em diferentes meios e
contextos.
Os
profissionais da área são dotados de competências que lhes permite desempenhar
as funções com base no contexto e nas dinâmicas culturais, políticas e
económicas, além de desenvolverem estratégias para informar, persuadir ou
entreter os distintos públicos.
Enquanto
os verdadeiros profissionais de comunicação não se emanciparem, o campo da
comunicação no mercado angolano vai continuar a proliferar o cancro da
desinformação informativa.

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